terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Desbravando o colonizador

Por Caio Maribondo
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O Brasil, o primeiro componente da famosa sigla BRIC, vem justificando sua força como nação através de várias dimensões, tais como a pujante economia, a BM&F cada vez mais sólida e a presença das multinacionais verde-amarelas como global players em seus mercados de atuação. Em 2008, o Brasil ingressou no seleto grupo de países tidos como seguros para se investir. Porém, o fato de ter sido agraciado com este investment grade não implicou em apenas ser alvo de Investimento Direto Estrangeiro (IDE). Pelo contrário, o Brasil vem ocupando uma posição cada vez mais ativa neste processo, principalmente ao considerar o número de corporações verde-amarelas no exterior.
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Quando uma empresa se propõe a ser um global player, provavelmente um dos mercados na qual esta vai atuar é o europeu. E, no caso do Brasil, as terras lusitanas têm se mostrado como uma ótima plataforma para a expansão internacional de multinacionais brasileiras. E os exemplos não são poucos. Ao andar pelas cidades portuguesas ou mesmo ao ler um jornal local, o brasileiro já não se sente tão “estrangeiro” do que se sentia há 15 anos.
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Quando sentir sede, você facilmente encontra uma lata bem gelada de Guaraná Antártica nos bares e restaurantes portugueses, ou quando tiver vontade de cuidar da própria beleza, O Boticário também é uma boa pedida nos shopping centers (ou centros comerciais como eles falam) e até para aqueles com um bolso mais recheado, uma jóia da brasileira H.Stern impressiona as mulheres do mundo inteiro. O dinheiro acabou? Não tem problema, em Lisboa você encontra uma agência do Banco do Brasil muito bem localizada ou mesmo do Itaú Europa. E o IDE pelas brasileiras na terra de Camões vai além dos pontos de venda. Os ônibus da gaúcha Marcopolo e obras das construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez também estão presentes em Portugal. Além do que as últimas manchetes em negócios internacionais vêm destacando o interesse de empresas brasileiras em adquirir operações portuguesas, como o caso da CSN e Vale que disputam o controle da Cimpor.
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Tudo isso pode ser analisado sob o ponto de vista da proximidade cultural, do potencial de expansão dos negócios a outros países da Europa utilizando Portugal como porta de entrada e até mesmo a diplomacia praticada entre os dois governos. Então, caro conterrâneo... Está em Portugal e quer se sentir mais em casa ainda? Basta ligar a TV para ver aquela novela da Globo.

Um comentário:

  1. Caio...
    Eu acho que é melhor dar um pulinho na França e procurar a loja da Natura, ao invés da do Boticário... Brincadeira!
    Não tenho muito conhecimento na causa, por isso só posso falar daquilo que conheço e vivencio, por isso não leve em conta minha leve "propaganda" da Natura.
    Na verdade, a Natura se arriscou mais em entrar logo no mercado da França, mundialmente conhecida por seus perfumes, ao invés de ter preferido Portugal, por exemplo, pela facilidade que você citou. Embora, eu ache que tenha sido certo o investimento e muito bem elaborado, por ter escolhido apenas uma linha de produto a se arriscar no mercado afora. A linha escolhida foi a Ekos pois esta representa todas as especiarias e fragrâncias encontradas na floresta Amazônica. Ou seja, quem procura a Natura na europa não vai à procura de uma simples fragrância agradável de um perfume, vai em busca do cheiro característico do Brasil. Por isso a gente vê o caso de empresas brasileiras que estão dando certo por aí, por representar o que é o Brasil, como as novelas e o Guaraná Antártica, não apenas produtos exportados sem valores culturais.
    Parabéns pelo post!

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