terça-feira, 8 de junho de 2010

Você é um profissional canivete?


Por Caio Maribondo



Como recém formado, tenho entrado na dura jornada que milhares nesta mesma situação enfrentam na expectativa de uma boa colocação no mercado e isto tem como grande direcionamento os programas de trainees. Não se impressione com processos de 1000 ou até mais de 2000 candidatos por vaga, pois num país continental como o Brasil. As empresas, cada vez mais exigentes quanto aos requisitos, e os candidatos, cada vez mais preparados e agressivos para não perder sua oportunidade, geram um ambiente de competição de alto nível. Porém, como competir entre os leões de forma a não se intimidar? Ser um profissional canivete é uma filosofia de vida! Tenham certeza de uma coisa... um bom currículo não garante sua vaga, mas te abre muitas portas para que você mostre pra quê veio. Daí a importância de construir, tijolo a tijolo, um background de respeito, antes mesmo de entrar na universidade.

A adolescência, o início das obrigações! Se lembra quando sua mãe te obrigava a freqüentar aquele cursinho de inglês? Ou dos seus treinos de futebol duas vezes por semana? Para não falar das aulas de dança, viagens da escola, trabalhos comunitários, etc, etc... Enfim, com certeza você não tem como mensurar o impacto real disto na sua vida... mas um dia você agradece! Fase de vestibular... você foi aprovado em uma boa universidade! Para quem quer batalhar entre os melhores, ainda precisa ralar mais um pouquinho... Empresa Júnior, estágios nas maiores empresas da região, intercâmbio acadêmico, atividades extracurriculares, projetos de iniciação científica, ufa... parece impossível realizar tudo isso! Mas não duvide que alguns universitários se dividem em mil para construir seu nome, sua marca. O respeito vem a partir do seu resultado e resultado do seu trabalho. Pronto, você está formado! Depois de ter feito tudo isso durante sua curta jornada, você pode estar alinhado com o perfil desejado por muitas empresas, visualizando-o como um potencial líder.

E porque enfatizar desde a adolescência. Pode não ser por acaso, mas o convívio em sociedade, o trabalho em equipe, a percepção de conjunto e necessidades das pessoas não são aprendidas apenas ao cursar na faculdade disciplinas como psicologia ou comportamento organizacional. Não é apenas num curso de 20 horas do SEBRAE que você vai aprender a falar em público e expressar suas opiniões. Várias experiências, vários ambientes e convívio com o que é diferente de você te dão uma ótima capacidade de analisar problemas, relativizar contextos e ver soluções onde não parece tão óbvio. Ou seja, este potencial líder vai apresentar traços de flexibilidade, dinamismo, facilidade de trabalhar em equipe, de se comunicar e de lidar com diferentes situações. Um profissional canivete.

Mas então, certamente você não é um adolescente que está lendo um blog de gestão. Se você se enxerga competindo nessas vagas, tentando seu espaço em uma grande corporação, não perca tempo. Aprender com os outros é importante, mas o erro é um grande instrumento pedagógico, daí a necessidade de vivenciar para ter propriedade de causa. Pois como diria o nosso saudoso Raul Seixas: “Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu.”

2 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, Caio! Achei muito interessante, e importante, tratar deste tema, especialmente porque ao abordá-lo você só vêm à acrescentar conhecimento a pessoas, que assim como eu, estão participando de processos de trainees. Além do mais, acredito que você conseguiu falar sobre cada ponto de maneira bastante esclarecedora. Mais uma vez, Parabéns!

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  2. Esse assunto sempre estará em pauta! Não dá para ser bom em uma coisa só mais. É preciso possuir ferramentas das mais variadas, exatamente como um canivete! Sua analogia, Caio, é mais do que clara! Atentar para uma coisa: que possamos encher nossa bagagem com o peso adequado e útil e não com pesos que não nos serve!

    Abraço, Maribondo!
    Parabéns pelo texto!

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